A história mais contada sobre a IPA é simples: cervejeiros ingleses precisavam exportar cerveja para as tropas coloniais na Índia. Para a cerveja sobreviver à viagem de seis meses pelo Atlântico e volta pelo Cabo da Boa Esperança, era necessário adicionar grande quantidade de lúpulo, que funciona como conservante natural.
A realidade histórica é mais nuançada. Cervejas fortemente lupuladas já eram exportadas da Inglaterra antes de qualquer relação específica com a Índia. A conexão direta entre lúpulo excessivo e o mercado indiano foi construída gradualmente.
O que é historicamente documentado é que no final do século XVIII e início do XIX, a cervejaria Hodgson, de Londres, tinha posição dominante no mercado indiano de exportação. Sua cerveja era lupulada e de alta graduação, combinação que ajudava na preservação.
O lúpulo tem propriedades antibacterianas. Os iso-alfa-ácidos inibem o crescimento de bactérias que poderiam estragar a cerveja. Esse efeito foi observado empiricamente pelos cervejeiros muito antes de ser compreendido cientificamente.
Com o tempo, outras cervejarias entraram no mercado de exportação, e o estilo IPA foi codificado. A versão americana surgiu no século XX, mais lupulada e focada no aroma frutal.
Hoje, IPA é o estilo mais popular da cena craft mundial, com dezenas de sub-estilos: West Coast IPA, NEIPA, Session IPA, Double IPA, Imperial IPA, Black IPA e muitos outros.
