Cerveja, mulheres e bruxaria: a história que apagaram
Muito antes de a cerveja ser associada a comerciais de televisão com homens em roda de bar, ela era, literalmente, feita por mulheres.
Na Europa medieval, fabricar cerveja era uma atividade feminina. As mulheres produziam, vendiam e sustentavam suas casas com a bebida que preparavam em casa, misturando grãos, água e especiarias em grandes panelões. Elas usavam avental, chapéus pontudos (para serem vistas nas feiras) e vendiam o líquido em frente às casas com vassouras na porta (sinal de que tinha lote pronto). Familiar, né?
Pois é. Quando as guildas de comércio começaram a se formar e o ofício cervejeiro passou a ser visto como algo lucrativo e organizado, os homens quiseram o controle da produção e do lucro. Resultado? O que antes era respeitado virou motivo de perseguição.
Com ajuda da Igreja e da Inquisição, essas mulheres passaram a ser acusadas de bruxaria. Os mesmos símbolos que representavam seu trabalho, o caldeirão, a vassoura, o chapéu pontudo, foram associados ao mal. Aos poucos, elas foram sendo afastadas da produção, silenciadas e até executadas.
Sim, a cultura popular que nos deu a imagem da bruxa como conhecemos hoje nasceu em parte da tentativa de eliminar a mulher do protagonismo na produção de cerveja.
Mas como toda boa história com espuma no topo, essa também tem virada.
Hoje, as mulheres estão de volta: produzindo, ensinando, julgando, empreendendo e, claro, brindando com muita propriedade. A cerveja artesanal voltou a ser lugar de curiosidade, saber, afeto, escolha e atitude. E elas estão ocupando esse copo com cada vez mais voz.
Cerveja é coisa de mulher. Sempre foi. Tentaram esconder. Mas não conseguiram.
Viva as mulheres!
